De acordo com
o pesquisador da Embrapa- EPAMIG, que atua na área de Agrometeorologia e
Climatologia, Williams Ferreira, para setembro os modelos dos
principais centros de previsão climática internacionais apontam para
mais de 90% de chance de que o fenômeno El Niño continue ao longo do
verão e mais de 85% de chance de que irá alcançar a outono de 2016, ou
seja, deverá permanecer pelo menos até abril do próximo ano.
Desde abril
desse ano as anomalias positivas, ou seja, o aumento na temperatura da
superfície, têm se intensificado na porção central e leste da região
equatorial do Oceano Pacífico. A partir das últimas semanas de julho as
temperaturas chegaram a ficar acima da média sendo que no final da
semana passada a anomalia chegou a alcançar 2,1oC.
A atual
condição que ratifica a ocorrência do fenômeno El Niño é também
representada pelo “Índice Oceânico de El Niño” (ONI, sigla em inglês.
Esse índice revela os trimestres quentes e os trimestres frios,
definidos quando os valores de ONI ocorrem com anomalias de temperaturas
de ±0,5oC após uma sequência de três meses consecutivos. Essas
anomalias são identificadas e registradas principalmente na região
denominada “Niño 3,4” a qual é definida entre as latitudes de 5o N e 5o S
e longitude entre 120o e 170o W.
Considerando o
histórico de ocorrência de períodos com anomalias positivas
(temperaturas acima da superfície do oceano da média) ou negativas
(temperaturas da superfície do oceano abaixo da média) os trimestres são
coloridos respectivamente em vermelho ou azul quando esses limites são
alcançados por no mínimo cinco estações (trimestres) consecutivas, o que
deve ocorrer ao final do trimestre junho a agosto.
Considerando
que há 70% de probabilidade de que a temperatura para todo o Brasil
fique acima da média normal para o período no próximo trimestre, com
exceção das regiões sul e oeste do Rio Grande do Sul onde a
probabilidade é de apenas 50%, os brasileiros deverão enfrentar uma
primavera “quente”. Todavia, tal condição, na atualidade, não deve ser
confundida como um indicativo de que o próximo verão apresentará grandes
anomalias positivas, ou seja, que será um verão extremamente quente,
com temperaturas acima da média do período.
Apesar de os modelos dos centros de previsão climática nacionais e internacionais
indicarem que o próximo trimestre deverá apresentar temperaturas acima
da média para todo o Brasil, no mês de setembro os estados do Acre,
Rondônia e Mato Grosso do Sul, a porção sul e oeste do Mato Grosso, a
porção oeste de São Paulo e do Paraná poderão apresentar anomalias
negativas de temperatura, ou seja, as temperaturas nesses estados
poderão ficar abaixo do valor médio normal esperado para o mês,
principalmente no estado do Mato Grosso do Sul.
Considerando a
ocorrência do fenômeno El Niño nessa época do ano e as temperaturas
elevadas já no mês de setembro, bem como o início da estação da
primavera que deverá ocorrer também ao final de setembro, poderá já no
início desse mês ocorrer chuvas intensas isoladas com ocorrência de
granizo e ventanias principalmente na região de transição, onde ocorre o
encontro das massas de ar frias, provenientes do Sul do continente, com
as massas de ar quente provenientes da região equatorial, as quais
costumam ficar estacionadas na região central e em parte da região
Sudeste do Brasil.
Diante do
atual cenário climático os produtores dessas regiões devem ficar atentos
para as previsões meteorológicas (previsões de curto espaço de tempo)
visando tomar as devidas precauções para programar o manejo das suas
lavouras, buscando acima de tudo evitar prejuízos inerentes a ocorrência
de eventos climáticos extremos.
Análise
A análise e o
prognóstico climático foi elaborada com base na estatística e no
histórico da ocorrência de fenômenos climáticos globais, principalmente
daqueles atuantes na América do Sul. Foram consideradas ainda as
informações disponibilizadas livremente pelo NOAA; Instituto
Internacional de Pesquisas sobre Clima e Sociedade — IRI; Met Office
Hadley Centre; Centro Europeu de Previsão de Tempo de Médio Prazo —
ECMWF; Boletim Climático da Amazônia elaborado pela Divisão de
Meteorologia (DIVMET) do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e com
base nos dados climáticos disponibilizados pelo INMET/CPTEC-INPE.
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